Para muitos designers acostumados a trabalhar apenas em 2D, o universo do 3D sempre pareceu atraente, mas complicado demais. Ferramentas técnicas, interfaces cheias de parâmetros e uma curva de aprendizado que assusta acabam afastando quem vem de apps como Photoshop e Illustrator. É justamente esse público que a Adobe quer atingir com o Project Neo, agora disponível em beta público.
Sobre o Project Neo
O Project Neo é uma nova forma de criar conteúdo 3D usando controles intuitivos e familiares para designers 2D. Em vez de pedir conhecimento avançado em modelagem, luz, materiais ou render, o Neo permite adicionar dimensão e profundidade a layouts de forma muito mais acessível. A ideia é que quem já domina Illustrator ou Photoshop consiga começar a experimentar 3D praticamente sem sair da sua zona de conforto.

Um dos principais objetivos do Project Neo é eliminar a necessidade de cálculos manuais e operações complexas para construir cenas volumétricas. O usuário pode criar, editar e ajustar objetos 3D com precisão, mas sem precisar entender a fundo a “linguagem” tradicional dos softwares 3D. O foco é em designers gráficos, profissionais de branding, marketing, UI, ilustração e criadores que querem dar um passo além no visual sem mergulhar de cara em ferramentas como Blender ou Cinema 4D.
A Adobe posiciona o Neo como ideal para gráficos de marca, materiais de marketing, ícones, ilustrações isométricas e até mesmo pixel art em 3D. Em vez de você ficar preso à perspectiva plana, passa a ter controle sobre profundidade, volume e diferentes ângulos de visão, sempre com um fluxo pensado para se integrar aos seus designs 2D. Tudo isso acontece em uma interface web, acessada pelo navegador, o que facilita tanto o acesso quanto a colaboração em equipe.
Outro ponto forte é a tipografia. O Project Neo permite criar e trabalhar com textos em 3D, utilizando mais de 30 mil fontes da biblioteca Adobe Fonts. Isso abre espaço para títulos, logotipos e elementos tipográficos muito mais expressivos e modernos, sem depender de truques de sombra e efeito no 2D. Além disso, o Neo já conversa com tecnologias de IA da própria Adobe, como o Scene to Image, que ajuda a controlar o layout de imagens geradas com inteligência artificial dentro de cenas 3D.
A integração com Illustrator é um dos recursos que mais chamam atenção. Com a possibilidade de importar arquivos SVG, você pode pegar vetores criados no Illustrator, levar para o Project Neo e extrudir esses contornos para o espaço 3D. Em outras palavras, aquele logo ou ícone que estava “chapado” pode ganhar volume e presença em poucos passos. Depois de trabalhar o visual no Neo, é possível voltar para o Illustrator com o resultado em vetor editável, pronto para ser aplicado em peças impressas, sites, sinalização, embalagens, roupas e muito mais.
Esse fluxo abre alguns cenários bem interessantes. Por exemplo: você pode importar o logo de um cliente como SVG, testar diferentes versões volumétricas e estilos de luz, apresentar variações de identidade em 3D, e então finalizar a opção escolhida para uso em campanhas. Ou pode criar uma série de ícones e gráficos isométricos no Neo e refinar detalhes de cor e tipografia no Illustrator. Tudo isso mantendo a essência vetorial, que facilita redimensionamento e aplicação em qualquer formato.
Como o Project Neo é baseado na web, ele também facilita o trabalho em equipe. Basta compartilhar um link do projeto para que colegas e stakeholders possam visualizar o trabalho em andamento e colaborar em tempo real, diretamente no navegador. Isso torna a ferramenta especialmente atraente para times de branding, agências e estúdios que lidam com aprovações constantes e precisam mostrar rapidamente diferentes versões de um conceito.
A própria comunidade em torno do Neo é parte central da experiência. A Adobe criou um espaço onde designers podem explorar, aprender e compartilhar seus projetos. Dentro da galeria comunitária, é possível ver trabalhos de outros criadores e estudar o processo de construção de cada peça por meio de um “history slider”, que funciona como um tipo de timelapse interativo. Ao rolar o histórico, você enxerga passo a passo como o artista montou sua composição, o que acaba virando um excelente recurso educativo.
Além de observar, você também pode remixar designs disponibilizados na galeria. Isso significa usar um trabalho existente como ponto de partida, alterando elementos, cores, formas e iluminação para criar algo novo. Esse formato de remix incentiva o aprendizado prático: em vez de apenas assistir a tutoriais, você abre o arquivo real, mexe nas camadas e entende a lógica por trás das escolhas de design.
Por outro lado, quem já está confortável com o Neo pode compartilhar seus próprios projetos na comunidade, ajudando outras pessoas a se inspirarem e aprenderem. É uma via de mão dupla: você encontra referências, descobre técnicas e também se posiciona como criador, mostrando seu domínio de 3D acessível para outros designers.
Para começar a usar o Project Neo, o processo é simples: basta acessar o site do beta público, fazer login com seu Adobe ID e começar a explorar. Por ser uma versão beta, a Adobe faz questão de incentivar o feedback. Os usuários podem participar de discussões via Discord ou no fórum da comunidade para reportar bugs, sugerir novos recursos e comentar a experiência de uso. A empresa deixa claro que esse retorno é crucial para moldar o futuro do Neo.
Para quem vive preso ao 2D, o Project Neo representa uma porta de entrada amigável para o universo 3D. Sem a complexidade de um software técnico tradicional, mas com flexibilidade suficiente para criar gráficos volumétricos interessantes, a ferramenta tende a ganhar espaço no dia a dia de designers de marcas, ilustradores e profissionais de marketing visual. É uma forma de elevar o nível estético de apresentações, campanhas, dashboards, interfaces e identidades visuais, sem exigir uma transição dolorosa para um novo mundo de comandos e conceitos.
Na prática, o Neo dialoga diretamente com uma tendência forte: cada vez mais, o 3D aparece em identidades de marca, interfaces, ícones, posts para redes sociais e layouts de produto. Em vez de terceirizar tudo para um especialista em 3D, muitos times poderão internalizar ao menos parte dessas demandas, explorando protótipos e variações diretamente no navegador.
Para quem está curioso, vale a pena experimentar o beta, testar a integração com Illustrator, brincar com tipografia 3D e explorar a galeria da comunidade. Mesmo que você ainda não planeje migrar seu fluxo para o Neo, o simples fato de entender o potencial do 3D acessível já pode abrir novas ideias para os seus projetos.